quarta-feira, 14 de julho de 2010

O que nos fizeram acreditar

Fizeram-nos acreditar que o amor mesmo, amor a sério, só acontece uma vez, geralmente antes dos 30 anos.
Não nos contaram que o amor não é acionado, nem chega com hora marcada.

Fizeram-nos acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade.
Não nos contaram que já nascemos inteiro, que ninguém na nossa vida merece carregar a responsabilidade de completar o que nos falta. Nós crescemos através de nós mesmos. Se estivermos em boa companhia é só mais agradável.


Fizeram-nos acreditar numa fórmula chamada "dois em um" - duas pessoas pensando igual, agindo igual - que era isso que funcionava.
Só não nos contaram que isso tem nome - anulação. Que só sendo indivíduo com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável.


Fizeram-nos acreditar que o casamento é obrigatório e que desejos fora de hora devem ser reprimidos.

Fizeram-nos acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que transam pouco são caretas, que os que transam muito não são confiáveis e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto.
Só não disseram que existe muito mais cabeça torta do que pé torto.


Fizeram-nos acreditar que só há uma fórmula de ser feliz, a mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados a marginalidade.
Não nos contaram que estas fórmulas, não dão certo, frustram as pessoas, são alienantes e que podemos tentar outras alternativas. Também não nos contaram que ninguém vai nos dizer isto.


Cada um vai ter que descobrir sozinho e aí, quando tiveres muito apaixonado por ti mesmo, vais poder ser muito feliz e apaixonares-te por alguém.

Recebi esse texto dizendo que é de autoria de John Lennon.

Quando li me identifiquei com todas as frases que dizem sobre o que nos fizeram acreditar e parei para pensar o quanto de conservas culturais nos são passadas de maneira involuntária e que, somente a experiência pode desfazê-las.
Essa quebra de conservas a partir da nossa vivência é que permite a espontaneidade-criatividade e torna possível os re-encontros com nós mesmos e, a partir daí, com o outro.
Não é fácil. Dói. Mas é extremamente compensador.

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